quinta-feira, 16 de setembro de 2010
HISTORINHA PARA ENTENDE O EMPREGO DA "CRASE" (`)
A CRASE É VERDE !
- Querida, outra vez me chamou sem necessidade? Tirou-me de meu merecido descanso?
- Como assim? Estou escrevendo e preciso de você.
- Deixe a menina. Mas se quer orientar, não seja arrogante artiguinho A.
- Arrogante eu? Minha cara preposiçãozinha A, eu só estou tentando ajudar.
- Ajudar? Eu, tentando chamá-lo para junto da preposição e você teimando em ficar aí de papo pro ar.
- Veja bem, não sou preguiçoso, mas não tolero ser encosto, ficar onde não devo.
- Só tentava dar graças à Deus.
- Que sacrilégio! Não posso estar diante de Deus! Nesse caso, chame só a minha amiga, a preposição A. Preste atenção, Deus é masculino e não precisa de mim. Ele é todo-poderoso, não requer nenhum artigo, mesmo esse Azinho charmoso.
- Entendi. Realmente me confundi. É que esse negócio de por a crase é difícil.
- Que isso! Vamos do início. O acento é grave; crase é a junção dos As. Parece casamento, mas não é. Quando, realmente, é preciso chamar a minha amiga preposição A e euzinho aqui, o garboso artigo A, nós que somos quase gêmeos por fora, mas de personalidades e missões distintas, nos unimos num único A aparente. Então, sim, para sinalizar essa fusão, essa crase, usa-se o acento grave.
- Sim, sim, foi isso que quis dizer.
- Mas não disse. Repare bem na necessidade antes de me chamar. Ando até cansado. Você não faz assim com meu irmão, o gorducho do artigo O.
- Ah, com ele é mais fácil. A combinação dele com a preposição fica visível, ‘AO’ não requer acento algum.
- Querida, acho que agora você vai prestar mais atenção, não? Alguma dúvida?
- Hum,,,umazinhas...
- Já vi que terei que apelar para a fantasia.
- Ah não! Lá vem você de novo. E ainda por cima me levando junto.
- Que fantasia?!
- Bem, imagine este artigo charmoso A todinho azul translúcido, meio transparente, entende?
- Ok, imaginei... Meio engraçado, não?
- Você não viu nada. Agora ele quer que você imagine eu, a preposição A, toda amarela translúcida também.
- Legal! Consegui.
- Continuando, quando for escrever, pense antes se precisa chamar a amarelinha e o azulzinho, ok? Fale um exemplo..
- Com crase?
- Evidente, minha cara.
- Hoje vou à festa de aniversário da Malu.
- Divirta-se! Antes, vamos analisar. Quem vai, vai A algum lugar, portanto chame a amarelinha. Festa é palavra feminina e está definida, não é festa qualquer, é A festa de blá, blá, blá, então me chame, o azulzinho. Você pode também trocar por uma palavra masculina pra confirmar, como Vou ao churrasco. Hum, que delícia... No caso, já aparece o fofo do meu irmão O porque churrasco é masculino. Conclusão: juntando as cores amarela e azul, vai dar que cor?
- Amarelo com azul... Ah, dá verde!
- Exatamente. Quando você perceber que surge o verde é porque existe crase, a junção do amarelo com o azul.
- Então, imagino sempre a crase verde ! Acho que ficará mais fácil.
- Que bom! Finalmente, poderei tirar umas sonecas.
- Mas tem casos difíceis...
- Como quais, querida?
- Ah, eu nunca sei se uso a crase antes de localidades. Se falo: ‘Fui à Bahia’. Está certo?
- Quem vai, vai ...
- Eu sei, vai A algum lugar. Tem preposição, a amarela, né? E o artigo?
- Sobrou pra mim, não é? Se você não for baiana, uma turista, você vai e volta. Assim, pense na volta. Vim...
- Vim da Bahia.
- Ok. Você usou a preposição DE e euzinho aqui, o artigo A. Porque você fala Bahia com artigo. Vai do costume de cada localidade. Usa-se artigo feminino com umas e com outras não. Você fala: ‘A Bahia tem belas praias.’ Ou ‘Muitos artistas nasceram na Bahia.’
- E se for São Paulo, por exemplo?
- Faça igual, Na dúvida, pense na volta.
- Vim de São Paulo. Ah, usei só a preposição DE. Então, digo ‘Fui a São Paulo.’, sem crase, né? Porque esse A é amarelo, só preposição.
- Finalmente! ‘Tá pegando o jeito, hein? Veja: ‘São Paulo é a maior cidade do Brasil.’ Ou ‘A vida cultural de São Paulo é muito rica.’
- Legal! Gostei dessas voltas. Maneiro.
- Mais umas dicas: sempre use crase quando indicar horas, como ‘A reunião é às 19 horas.’ Ou em expressões como à medida que, às vezes, à noite, à moda.
- Obrigada pelas dicas. Bom, resumindo: tenho que ver se o verbo pede a preposição A, a amarelinha. Parece pilha, não? Depois, vejo se a palavra seguinte pede o artigo A, o azulzinho. Parece um homenzinho de propaganda de celular. Sei que essa palavra não pode ser masculina.
- Nem pronome pessoal, demonstrativo; com exceção de àquele(a), porque é a + aquele(a), àquilo, à qual, às quais; verbo, ...
- Verbo?! E ‘Eu fiquei à espera dele.’ ?
- Deu cano? Que peninha.
- É um exemplo!
- Ah, sim. Nesse caso, ‘espera’ é substantivo, está certo o uso da crase. Mas, se for verbo mesmo, como ‘Ficou a esperar por ele’, só chame a amarelinha, por favor!
- Entendi, não precisa ficar bravo. Que pavio curto.
- Não sou vela, nem amarela.
- Para de rimar, não tem graça. Querida, acho que você aprendeu rapidinho. Qualquer dúvida, pode perguntar.
- Pra ela, minha bela, pra ela, que eu vou tirar uma soneca.
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